Este artigo busca analisar como a ideologia aristocrática, durante o reinado de Juan II de Castela, era sacralizada por meio das festas nobiliárquicas. Tais celebrações seguiam um protocolo cerimonial e ritualístico marcado pela ostentação de trajes suntuosos, objetos de luxo, banquetes e atividades lúdicas. A análise aqui proposta se apoia nas contribuições tanto da Nova História Política quanto dos Estudos Sensoriais. Serão exploradas a pertinência dessas duas perspectivas para o estudo da cultura política medieval; as formas de sacralização política da aristocracia; e, por fim, a maneira como tais celebrações eram representadas na documentação da época. Esses pressupostos servirão de base para a interpretação das festas realizadas na corte de dom Álvaro de Luna (1390-1453) em Escalona no ano de 1448, conforme descritas na Crónica de D. Álvaro de Luna, Condestable. Álvaro de Luna, Condestable de los Reynos de Castilla y León de Gonzalo Chacón.