Pontes sobre o rio Capiberibe e o mar

 

 

Brigdes over the Capiberibe river and the sea

 

 

Ana Cristina Marinho[67]

https://orcid.org/0000-0003-2645-6113

 

 

 

Resumo: O artigo busca construir uma cartografia de duas editoras/livrarias que publicavam/comercializavam cole�›es de livros populares em finais do sŽculo XIX e in’cio do XX: a Livraria Portugueza, localizada na cidade do Porto, e a Livraria Contempor‰nea, localizada na cidade de Recife, Pernambuco. Nesse mapa, encontramos dois comerciantes portugueses e um terceiro personagem, o poeta, editor e comerciante de livros Leandro Gomes de Barros, que viveu na cidade de Recife e manteve, nas duas primeiras dŽcadas do XX, uma intensa atividade ligada ao livro e ˆ leitura, caracterizando-se como um agente liter‡rio. O encontro desses tr�s personagens possibilita discuss›es sobre a escrita, a leitura e a comercializa�‹o de livros no in’cio do sŽculo XX, no Brasil e em Portugal. O percurso te—rico foi norteado por discuss›es sobre a hist—ria do livro e da leitura encontradas em Abreu (1999), Chartier (1997), Anselmo (1991) e Ven‰cio (2005), alŽm de estudos sobre cartografias liter‡rias de Fernandes (2012), Cury (2007), Harley (1990) e Martin-Barbero (2004).

Palavras-chave: Leandro Gomes de Barros; Livraria Contemporanea; Livraria Portugueza; Edi�›es populares.

 

 

Abstract: The article seeks to build a cartography of two publishers/bookstores that published/marketed collections of popular books in the late 19th and early 20th centuries: Livraria Portugueza, located in the city of Porto, and Livraria Contempor‰nea, located in the city of Recife - Pernambuco. On this map, we find two Portuguese traders and a third character, the poet, editor, and book trader Leandro Gomes de Barros, who lived in the city of Recife and maintained, in the first two decades of the 20th, an intense activity linked to books and reading, being characterized as a literary agent. The meeting of these three characters allows discussions about writing, reading, and selling books in the early 20th century, in Brazil and Portugal. The journey was guided by discussions about the history of books and reading (Abreu, 1999; Chartier, 1997; Anselmo, 1991; Ven‰cio, 2005), in addition to studies on literary cartography (Fernandes, 2012; Maria Zilda Cury, 2007; Harley, 1990; Martin-Barbero, 2004).

Key-Words: Leandro Gomes de Barros; Livraria Contemporanea; Livraria Portugueza; Popular Editions.

 

 

 

 

 

Neste texto, busco refazer os caminhos de uma editora do Porto, a Livraria Portugueza, que publicava livros de cordel e os enviava para o Brasil, j‡ em finais do sŽculo XIX e in’cio do sŽculo XX. Nessa mesma Žpoca, criava-se e consolidava-se no Brasil a literatura de folhetos, diferente em v‡rios aspectos da literatura de cordel portuguesa. As obras impressas pelo editor portugu�s Joaquim Maria da Costa, e enviadas a Pernambuco, eram vendidas na Livraria Contemporanea, de Ramiro Moreira da Costa, casa frequentada pela elite pernambucana e tambŽm pelo poeta Leandro Gomes de Barros. Seguirei os passos de dois editores de livros ÒpopularesÓ e um propriet‡rio de livraria que exerciam suas atividades no per’odo que vai de 1883 (data mais antiga de publica�‹o de obras pela Livraria Portugueza a que tive acesso) a 1918 (ano da morte de Leandro Gomes de Barros).

Quando iniciei a pesquisa nos arquivos da Biblioteca Nacional do Porto, n‹o esperava me ÒencontrarÓ com o poeta Leandro Gomes de Barros, antigo conhecido dos estudos sobre tradi�›es orais e populares que fazem parte da minha trajet—ria como pesquisadora e professora de literatura na Universidade Federal da Para’ba.[68] Inquietavam-me, naquele ano de 2013, as discuss›es veiculadas em jornais e revistas, e tambŽm em ambientes de discuss‹o acad�mica (congressos, semin‡rios) sobre os Ònovos escritoresÓ de literatura brasileira que circulavam em diferentes espa�os, participavam de feiras liter‡rias e estabeleciam rela�›es diferenciadas com as editoras, o mercado, o pœblico e a cr’tica.

Para Maria Zilda Cury, Ž poss’vel falar em novas cartografias liter‡rias, nesses primeiros anos do sŽculo XXI, pois os escritores assumem a postura de agentes culturais, Òtransitando por espa�os que n‹o o estritamente liter‡rio, o que, inevitavelmente, interfere na escrita de seus textosÓ (CURY, 2007, p. 7). Pensando na literatura de folhetos no Brasil, chamada por M‡rcia Abreu de um g�nero editorial e n‹o apenas um g�nero liter‡rio (ABREU, 1999), essas Ònovas geografias narrativasÓ n‹o me pareciam t‹o novas assim. Os poetas populares, nas primeiras dŽcadas do sŽculo XX, eram agentes culturais, viajantes perform‡ticos, sobreviventes do verso e da lira.

No estudo sobre a Tipografia S‹o Francisco (1940-1972), em Juazeiro do Norte- CE, Rosilene Melo evidencia o quanto a hist—ria das tipografias populares est‡ ligada ˆs estratŽgias de sobreviv�ncia criadas pelos poetas e editores, em um mercado que sofre tanto influ�ncias econ™micas quanto religiosas, familiares e afetivas (MELO, 2010). A literatura de folhetos no Brasil acompanhou os caminhos da estrada de ferro, do algod‹o e da borracha, mas tambŽm os caminhos da fŽ, do misticismo, do encantamento pelo verso que transformaram pequenas cidades, como Juazeiro do Norte, em grandes centros de distribui�‹o de folhetos de cordel.

No Nordeste brasileiro surgiram, ainda nas quatro primeiras dŽcadas do sŽculo XX, tipografias em cidades como Areia, Itabaiana, Guarabira e CatolŽ do Rocha-PB, Novas Russas-CE e Currais Novos-RN. Em Juazeiro do Norte, a Tipografia S‹o Francisco, posteriormente Lira Nordestina, se configurou como a maior editora popular, sobrevivendo durante 30 anos e agregando em torno da produ�‹o e venda de folhetos poetas, cantadores, dan�adores de coco e reisado, praticantes de umbanda e candomblŽ, astr—logos, curandeiros, rezadores, artistas da madeira, da palha, do barro.

Se fosse poss’vel desenhar novos mapas culturais no Brasil, a partir da trajet—ria de poetas e vendedores de folhetos, as cidades de BelŽm (Editora Guajarina), Juazeiro do Norte (Tipografia S‹o Francisco), Campina Grande (Tipografia Estrela da poesia) e S‹o Paulo (Editora Prelœdio) estariam muito mais pr—ximas da cidade de Recife, lugar escolhido por Leandro Gomes de Barros para editar seus folhetos, do que os estados vizinhos do Rio Grande do Norte e Alagoas.

            A constru�‹o de territ—rios se d‡ a partir de interesses comerciais, pol’ticos, mas tambŽm simb—licos, afetivos, emocionais. As fronteiras geogr‡ficas ou pol’ticas n‹o podem ser refer�ncias para a delimita�‹o de territ—rios culturais. Hoffman (1999) considera a desterritorializa�‹o como marca dominante nas produ�›es liter‡rias da œltima dŽcada do sŽculo XX. Personagens em tr‰nsito, poetas transformados em agentes culturais, configuram o que a autora chama de Ònovos n™madesÓ. Pensando na experi�ncia dos poetas e editores da literatura de folhetos no Brasil, essas viv�ncias n™mades n‹o representam nenhuma novidade, como pudemos perceber ao longo da pesquisa.

A abordagem cartogr‡fica, que aqui busco seguir, toma a historiografia n‹o como uma sucess‹o de fatos, eventos, e sim como uma Òjustaposi�‹o de textos, mapasÓ, enfatizando Òo processo de constru�‹o das rela�›es de poder presente nos textosÓ (FERNANDES, 2012). Para Frederico Fernandes,

Enquanto a abordagem sincr™nica culturalista guia-se pela tens‹o dicot™mica, na qual os vetores ideol—gicos de forma�‹o cultural s‹o intensificados, a abordagem cartogr‡fica Ž uma an‡lise descritiva e interventiva que considera os efeitos de subjetividade dos agentes envolvidos na performance (FERNANDES, 2012, p. 151).

Essa an‡lise Òdescritiva e interventivaÓ busca interligar sujeitos e objetos, na tentativa de construir novos mapas da cultura pois, segundo Martin-Barbero (2004), a cartografia n‹o precisa representar apenas fronteiras, pode representar encontros, rela�›es, interc‰mbios. E Ž nesse sentido do encontro e dos interc‰mbios que caminha a minha escrita, numa tentativa de ligar a cidade do Porto ˆ cidade do Recife, a vida de livreiros, editores e tip—grafos dessas duas cidades, ao percurso de poetas populares. Tr�s sujeitos se cruzam nessa hist—ria: Joaquim Maria da Costa, editor da Livraria Portugueza, na cidade do Porto; Ramiro Moreira da Costa, portugu�s emigrado para Recife, propriet‡rio da Livraria Contempor‰nea e Leandro Gomes de Barros, poeta e editor de folhetos, um dos respons‡veis pela cria�‹o do g�nero literatura de cordel no Brasil.

 

 

Um Costa de l‡ e outro de c‡

           

A Editora de Joaquim Maria da Costa, sucessor dos Machado & Costa, estava localizada no Largo dos Loyos, 55-56, Porto. A Livraria Portugueza vendia cole�›es de entremezes, fados, contos populares, Òlindos livrinhos em versos amorosos e cartas amorosas em prosa e versoÓ. Em um folheto de 1902 aparece o seguinte anœncio: ÒLinda Collec�‹o de livrinhos amorososÓ; Linda Collec�‹o de OraculosÓ; ÒLivrinhos de Canticos ReligiososÓ; ÒCollec�‹o de contos modernosÓ; ÒLinda Collec�‹o de testamentosÓ. Em 1903, a editora passou a vender tambŽm ÒAlmanachs e Reportorios Sarago�anos para o annoÓ e ÒHist—rias e contos recreativos para o povoÓ. Publicava ainda a Colec�‹o de fados modernos (1893 a 1897) que teve em torno de 16 nœmeros. Na quarta-capa do folheto ÒBrados de Comisera�‹o a favor das almas do purgat—rioÓ (s/d) encontramos a seguinte indica�‹o das atividades desenvolvidas pela Livraria Portugueza:

NÕeste estabelecimento h‡ um variad’ssimo sortimento de comp�ndios adoptados em todos os lyceus, collegios, aulas e escolas oficiais e particulares do reino; livros de missa e semana santa, desde o pre�o de 160 reis atŽ 9$000 reis; obras m’sticas aprovadas pelas autoridades eclesi‡sticas; literatura hist—rica e cl‡ssica, de direito e medicina; uma abundante collec�‹o de romances dos melhores autores e a pre�os reduzidos; bom sortido de obras recreativas e populares; obras theatraes; dramas, comedias, scenas e poesias c™micas; livros em branco, cartilhas, pautas, traslados, almanachs e report—rios de todos os autores, hist—rias e contos em prosa e verso para o povo; Alphabetos, taboadas, methodo fac’limo, catecismo, Manual Enciclophedico; impressos para as escolas e professores de instru�‹o primaria. Grande desconto para revender. Pedidos a Joaquim Maria da Costa, com dire�‹o acima mencionada.

AlŽm dos cordŽis publicados pela Livraria Portugueza, tive acesso a textos e cole�›es de hist—rias populares publicados por outros casas como a Typographia de Antonio Alvarez Ribeiro (Officina de Antonio Alvarez Ribeiro; Tipografia da viœva Alvarez Ribeiro & Filhos); o Bazar Feniano - Livraria de Antonio da Silva Santos & C», que depois passa para Diamantino da Silva Cardoso, j‡ no sŽculo XX; a Livraria Chardron de Lello & Irm‹o; a Livraria Lello e irm‹o; a Typographia Gandra e Filhos; a Livraria de J. E. da Cruz Coutinho e a Livraria Civiliza�‹o, de Eduardo da Costa Santos. O pesquisador Arnaldo Saraiva tambŽm menciona, no seu livro Folhetos de cordel e outros da minha cole�‹o, outras 16 livrarias/tipografias/oficinas da cidade do Porto que editavam cordŽis (SARAIVA, 2006).

Selecionei uma cole�‹o editada por Ramiro Moreira da Costa para acompanhar o percurso desses livros: a Cole�‹o de Hist—ria Populares. Os livros dessa cole�‹o eram impressos na Typographia a vapor de Arthur JosŽ de Souza & Irm‹o, Largo de S. Domingos, 66-67 (ou 74-76). Cada t’tulo da cole�‹o era vendido, em 1904, por 60, 80 ou 100 reis. Segundo Giselle Martins Ven‰ncio,

As cole�›es criadas pelas casas editoriais europeias podem ser consideradas o principal instrumento de afirma�‹o do poder dos editores marcando uma verdadeira ruptura no processo de publica�‹o de livros desenvolvido atŽ ent‹o. A cria�‹o de cole�›es populares foi, justamente, o que permitiu aos editores o estabelecimento de um comando editorial atravŽs do qual eles passaram a estabelecer as normas do mercado (VENåNCIO, 2005, p. 5).

No percurso feito pela pesquisadora, trilhando os Òcaminhos da cole�‹o Biblioteca do Povo e das EscolasÓ, e que envolve tr�s livreiros/editores – David Corazzi, Lisboa; Francisco Alves, Rio de Janeiro e Gualter Rodrigues, Cear‡ –, Ž poss’vel Òconhecer aspectos da hist—ria dos livros, desvendando, pelo menos em parte, a din‰mica cultural que se estabelecia entre a Europa e as diversas regi›es do Brasil no sŽculo XIXÓ (VENåNCIO, 2005, p. 5). Seguindo esse mesmo caminho, tento tra�ar uma cartografia da produ�‹o e comercializa�‹o de folhetos de cordel, de finais do sŽculo XIX atŽ as primeiras duas dŽcadas do sŽculo XX, levada pela m‹o do poeta Leandro Gomes de Barros. Mas, antes, sigo a refazer o percurso que me trouxe de volta para o Brasil.

Tive acesso a 29 t’tulos da Cole�‹o de Hist—rias Populares, o mais antigo deles datado de 1891. T’tulos como as Òverdadeiras hist—riasÓ da Princesa Magalona, da Imperatriz Porcina, de Jo‹o de Calais, do infante D. Pedro de Portugal, do Imperador Carlos Magno, passando pela ÒVerdadeira Malicia e maldade das mulheres e a malicia dos homensÓ (1901) e chegando ˆ ÒHist—ria curiosa e engra�ada do Preto e o Bugio Ambos no Matto, discorrendo sobre a arte de ter dinheiro sem ir ao Brasil e acrescentado com o engra�ado Tango AmericanoÓ e ÒO velho, o rapaz e o burro e as can�onetas – o sonhoÓ (1897).

A editora tambŽm publicava a Bibliotheca de Leituras Populares, que reunia obras mais voltadas para hist—rias de crimes, venturas e desventuras amorosas, milagres de santos, Òmon—logos para amadores dram‡ticosÓ, entre outros t’tulos. E ainda, segundo informa�›es de Arnaldo Saraiva, a cole�‹o de contos populares portugueses – 16 t’tulos publicados desde o ano de 1885.

Joaquim Maria da Costa, no folheto ÒBreves no�›es de Hist—ria InglezaÓ, escreve a seguinte advert�ncia:

Advert�ncia do editor aos leitores dos livrinhos

Quando me resolvi publicar a ÒBibliotheca da Hist—ria de todos os povosÓ n‹o tive em mira lucros a auferir de tal publica�‹o, mas t‹o somente divulgar o mais poss’vel pelas classes menos abastadas, que n‹o conhecem as l’nguas estrangeiras umas breves no�›es, ou pequeno resumo da ÒHist—ria das grandes na�›es do mundoÓ para instru�‹o n‹o s— dos portugueses, mas dos filhos da outras na�›es que desejem aperfei�oar-se no nosso idioma. Os portuguezes encontrar‹o nÕesta amena leitura o conhecimento dos principaes factos dos povos que atŽ hoje mal conheciam, e aos estrangeiros servir-lhe-‡ de est’mulo ao estudo quando desejem dedicarse ˆ l’ngua portuguesa, pois que ao mesmo tempo que se habilitam, pelo estudo, a uma l’ngua estranha, utilizam e recordam os feitos heroicos dos seus antepassados. Se o Editor dÕesta interessante collec�‹o de livrinhos uteis, poder conseguir o que intenta, julgar-se-‡ bem pago do pequeno servi�o que julga prestar ‡quelles que desejam instruir-se, preenchendo com esta publica�‹o uma lacuna que desde h‡ muito se sentia na literatura portuguesa. Porto, 1 de mar�o de 1903. O editor, Joaquim Maria da Costa.

Foi a partir dos anos 1845 que come�aram a surgir as sŽries e cole�›es populares em Portugal, destinadas Òˆ vulgariza�‹o de um modelo massificado da Òboa literaturaÓ, de conhecimentos œteis ou de formas de comportamento social e moralÓ (PINTO; MONTEIRO, 2013, p. 206). A abertura do mercado e a possibilidade de os editores ganharem dinheiro com a comercializa�‹o de obras parecia desagradar aos intelectuais e literatos, mas garantiu o sustento de muitas fam’lias e contribuiu para a profissionaliza�‹o desses mesmos trabalhadores.

Os Òlivrinhos uteisÓ que chegavam ˆs Òclasses menos abastadasÓ atravessaram o mar e chegaram ˆs m‹os de outro livreiro portugu�s. Nesse mesmo folheto de 1903 aparece a informa�‹o de venda das obras editadas na Livraria Portugueza para a êndia, çfrica, EUA (Calif—rnia) e Brasil. No Brasil o Òdep—sito geralÓ de livros era a Òlivraria do snr. Ramiro Moreira Costa & C», em PernambucoÓ.

E chego ao nosso segundo viajante, atraco no cais do porto, em Recife, e caminho atŽ a rua 1¼ de Mar�o, onde estava localizada a Livraria Contemporanea de Ramiro Moreira da Costa. Em 1890, j‡ aparecem not’cias sobre caixas enviadas a Ramiro Costa em vapores que chegavam de Lisboa ao porto do Recife (Jornal A prov’ncia, 21 de janeiro de 1890). A livraria vendia materiais para escrit—rio, instrumentos musicais, tinta e typos, brinquedos, impressos, ferragens, papel, livros, pratos de porcelana, pinturas de artistas franceses, charutos, imagens sacras, fotografias, m—veis, bolsas escolares...

Sobre a vida movimentada do estabelecimento, d‹o conta as seguintes not’cias publicadas tambŽm no jornal A prov’ncia:

- Exposi�‹o do Òretrato do grande chefe abolicionista e republicano cearence Jo‹o CordeiroÓ, feito por Libanio Amaral (15 de maio de 1890);

- Exposi�‹o Peitoral de Cambar‡ – quadro com a Òfotografia do suntuoso estabelecimento Agrico Industrial do Parque Pelotense [...] onde funciona a importante f‡brica do precioso medicamento denominado Peitoral de Cambar‡Ó (18 de janeiro de 1891);

- Exposi�‹o de um Ògrande quadro das fotografias do atelier Frederico RamosaÓ (2 de junho de 1891);

- Anœncio ˆ procura de professor para atuar no engenho da Gamelleira, tendo a livraria como local de contato (21 de janeiro de 1900).

            Chama a aten�‹o uma exposi�‹o de um quadro de Òsuntuoso estabelecimentoÓ que poderia funcionar para atrair compradores para um remŽdio que seria vendido, futuramente, no mesmo estabelecimento loja. A presen�a de anœncios para a contrata�‹o de professores tambŽm evidencia o importante papel desempenhado pela livraria no campo da instru�‹o e forma�‹o de novos leitores e leitoras.

Ramiro Moreira da Costa viveu 76 anos, entre idas e vinda a Portugal para cuidar da saœde e dos neg—cios. Chegou ao Brasil em 1878, desembarcando no Maranh‹o, onde foi comerciante durante algum tempo. Depois, em 1888, instalou a Livraria Contemporanea na cidade do Recife que passa, a partir de 1905, a aparecer nas not’cias de jornal com o nome de Ramiro Moreira da Costa & Filho. Nesse per’odo, o local, mais do que um ponto de venda, era um ponto de encontro de intelectuais, a exemplo do que acontecia no Rio de Janeiro, como demostram os estudos sobre livrarias, tipografias e editoras de Hallewell (1985), Abreu e Schapochnik (2005) e Ven‰ncio (2005), para citar apenas alguns nomes.

Ramiro Costa participou da vida cultural e de neg—cios da cidade do Recife. Foi suplente da comiss‹o fiscal do Banco Popular, eleito em 1891; em 1900 possu’a 20 a�›es da Companhia Tethys de seguros mar’timos e terrestres; foi procurador do senhor JosŽ Gon�alves Dias, propriet‡rio de Òf‡brica de surragem, compra e venda de solla, sita a rua da Palma, n. 97Ó (A prov’ncia, 16 de maio de 1900); fez parte da comiss‹o de ‡rbitros da Alf‰ndega de Pernambuco Òpara o fim de resolver sobre as quest›es que forem suscitadas acerca da classifica�‹o de mercadoriasÓ, na Classe 19 – Papel e suas aplica�›es (A prov’ncia, 14 de mar�o de 1901); juiz por devo�‹o Òda tradicional festa do senhor Bom-Jesus do Bom-Fim a realizar-se no dia 01 de janeiro de 1906 na cidade de OlindaÓ; acionista da Companhia Industrial Fia�‹o e Tecidos de Goyanna, em 1906, neg—cio que passa a ser de um dos seus filhos; membro da Junta administrativa da Santa Casa de Miseric—rdia do Recife, 1916, e, por fim, integrante da Comiss‹o Pro-P‡tria criada em fun�‹o da Òsitua�‹o melindrosa de Portugal diante da declara�‹o de guerra feita pela AlemanhaÓ (A prov’ncia, 20 de mar�o de 1916). Temos aqui apenas alguns exemplos da atua�‹o de Ramiro Costa na cidade de Recife e tambŽm em Goyanna (atual Goiana-PE), nas duas primeiras dŽcadas do sŽculo XX.

Durante o vel—rio do seu filho, Eugenio de Almeida Costa, morto aos 36 anos, compareceram Òassocia�›es religiosas, membros de associa�›es ma�™nicas, alto comercio, funcion‡rios pœblicos estaduais e federaisÓ (A prov’ncia, 09 de agosto de 1921). Talvez esse seja um bom resumo dos espa�os ocupados pelo comerciante e da atua�‹o do Costa de c‡, durante as cinco dŽcadas em que viveu na cidade do Recife.

 

E eis que surge o poeta

 

Construir uma cartografia de editores, impressores e livreiros das cidades do Porto e do Recife me levou a um encontro inusitado com o poeta Leandro Gomes de Barros, encontro este que terminou por me trazer de volta ˆs quest›es que me inquietavam, naquele ano de 2013: sobre os Ònovos escritoresÓ que circulavam em feiras e exposi�›es, recebiam cach�s para participarem de eventos culturais e acad�micos, chamados de verdadeiros agentes culturais. Seguindo os passos de Ramiro da Costa, atravŽs dos jornais dispon’veis na Hemeroteca da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, como descrito anteriormente, eis que me deparo com a seguinte not’cia: ÒEnviado pelo seu autor o sr. Leandro Gomes de Barros, recebemos ontem um exemplar de sua edi�‹o de versos sobre ÔA Morte do dr. JosŽ MariannoÕ. Gratos.Ó (Jornal de Recife, 20 de junho de 1912).

Leandro Gomes Barros, assim como o Ramiro Moreira da Costa que comunicava ao Jornal as novidades que chegavam ˆ sua livraria, tambŽm anunciava suas novas produ�›es. Em 16 de novembro de 1915, o mesmo jornal noticia um opœsculo do poeta, tomando por tema a morte do D. Luiz Raymundo da Silva Brito, arcebispo de Olinda. No dia 31 de maio de 1916, temos a seguinte not’cia:

 

Um protesto

Veio ontem ao nosso escrit—rio o sr. Leandro Gomes de Barros, autor de numerosos versos populares, tais como ÒA vassourinhaÓ e tantos outros e declarou-nos protestar contra o sistema de alguns indiv’duos venderem livros de versos com o seu nome. Entre outros citou o nome do Sr. Sim‹o Francisco Marques, que assim procedeu no Amazonas.

 

            Protestos semelhantes tambŽm foram feitos pelo poeta Gon�alves Dias, como comprovam os estudos de Marisa Lajolo: o poeta se queixava na imprensa sobre a distribui�‹o no Brasil de exemplares da edi�‹o de seus poemas intitulados ÒContosÓ, publicados em 1857 pelo tipografo/editor alem‹o Brockhaus, pois o contrato com a editora s— permitia a distribui�‹o do livro na Europa (LAJOLO, 2005).

            A participa�‹o de Leandro no mundo das editoras e livrarias n‹o se restringia ˆ edi�‹o e venda de folhetos. ƒ poss’vel afirmar que ele administrava, com a ajuda da filha Rachel, que assinava muitos dos seus folhetos como uma forma de garantir a originalidade da c—pia, um completo sistema de produ�‹o e comercializa�‹o. O poeta se inseria nas brechas do sistema (capitalista, globalizado) que envolvia, alŽm da escrita, a edi�‹o, publica�‹o e venda de livros; a participa�‹o nas redes de socializa�‹o da cidade de Recife e de outras cidades; o envio de notas para os jornais e as viagens constantes ˆs cidades de Juazeiro do Norte-CE, Para’ba e Rio Grande do Norte, alŽm de cidades do interior dos estados de Pernambuco. A imagem do poeta popular com sua mala de livros debaixo do bra�o, vendendo em feiras de pequenas cidades do sert‹o, n‹o parece compor, por completo, a figura do Leandro Gomes de Barros que venho tentando desenhar.

            Em 23 de agosto de 1917, o poeta enviou ao jornal A prov’ncia o folheto ÒO p‹o e a batataÓ. Essa primeira not’cia que encontrei me conduziu a uma sŽrie de outras notas publicadas em jornais de Pernambuco e do Cear‡. No jornal O rebate (Juazeiro do Norte), de 28 de novembro de 1909, publica o cordel ÒLucta do diabo com Antonio SilvinoÓ. A partir dessa publica�‹o, localizei outros 6 poemas, todos publicados numa se�‹o intitulada Lyra Popular:

 

- A crea�‹o do mundo, em 19 de dezembro de 1909;

- As capas de uma viœva, em 16 de janeiro de 1910;

- Ciume de duas noivas, em 23 de janeiro de 1910;

- O padre de Joazeiro, em 06 de fevereiro de 1910;

- A proclama�‹o dos banhos, em 20 de fevereiro de 1910;

- As lagrimas de Antonio Silvino por Tempestade, em 6 de mar�o de 1910.

 

            O folheto ÒLucta do diabo com Antonio SilvinoÓ, publicado no jornal com um total de 26 estrofes, est‡ dispon’vel na Cole�‹o Cordel, da Funda�‹o Casa de Rui Barbosa, numa vers‹o com 40 estrofes. Nesse folheto tambŽm consta o poema ÒVingan�a dÕum filhoÓ. Foi publicado ainda nessa cole�‹o o folheto ÒAs lagrimas de Antonio Silvino por TempestadeÓ.

            Sobre o jornal O Rebate sabemos que foi impresso em Juazeiro do Norte-CE entre os anos de 1909 e 1911, com edi�›es semanais, geralmente aos domingos. Fundado pelo padre Joaquim de Alencar Peixoto, tambŽm diretor e redator-chefe do jornal, tinha como prop—sitos contribuir para a autonomia pol’tica de Juazeiro, naquela Žpoca subordinado ao Crato, e defender o Padre C’cero, um dos principais motivadores e apoiadores do peri—dico. Assis Daniel Gomes analisa os poemas publicados na se�‹o Lyra Popular, nos anos de 1909 e 1910, e enumera os principais temas e poetas que ocuparam as p‡ginas do jornal (GOMES, 2013). Leandro Gomes de Barros estava entre os primeiros, com 48% das cita�›es.

A publica�‹o do folheto ÒO padre de JoazeiroÓ, em 06 de fevereiro de 1910, evidencia um tra�o do poeta que difere dos muitos outros folhetos nos quais a defesa do clero jamais aparecia. Talvez como parte das estratŽgias do poeta para se inserir na cultura letrada, o tom Ž bastante ameno e h‡ mesmo uma defesa do padre contra todos que o acusavam de se aproveitar da fŽ e devo�‹o dos pobres com fins pol’ticos:

No sert‹o do Cear‡

Apareceu um pastor

E qual outro Christo, nosso

Ador‡vel Salvador,

ƒ um anjo de bondade

Enviado do Senhor.

 

ƒ um pastor exemplar

O padre do Joazeiro

D‹o-lhe esmola e d‡ esmola

E n‹o Ž interesseiro

Tudo que faz Ž de gra�a

N‹o aprecia dinheiro.

[...]

A uns quinze dias passados

Disse-me um velho romeiro

Que est‡ suspenso de ordem

Por n‹o ser interesseiro

Os padres detestam elle

Por n‹o gostar de dinheiro.

[...]

Elle Ž desses que detestam

A maldita corrup�‹o

Julga que a gra�a de Deus

ƒ o verdadeiro p‹o

E o homem lucra tudo

Se ganhar a salva�‹o.

            As not’cias veiculadas nos peri—dicos chamam a aten�‹o para uma rede de sociabilidade que coloca o poeta em contato com as chamadas elites intelectuais da cidade de Recife e tambŽm do Juazeiro do Norte, alŽm de profissionais liberais e comerciantes em geral. Vejamos os que dizem os estudos mais recentes sobre a obra do poeta e sobre a literatura de folhetos do Nordeste.

Sobre o campo liter‡rio que envolve a literatura de cordel, evidencio os estudos da pesquisadora Bruna Paiva de Lucena que vem discutindo, desde a sua disserta�‹o de mestrado, defendida em 2010, esses lugares de disputa. No seu livro PoŽticas a cŽu aberto: o cordel e a cr’tica liter‡ria, Lucena (2018) tece cr’ticas ˆ Òconcep�‹o escriptoc�ntricaÓ da literatura brasileira e a forma como a cr’tica liter‡ria, em especial as obras de Silvio Romero, JosŽ Ver’ssimo, Afr‰nio Coutinho e Antonio Candido, lida com a presen�a/aus�ncia das literaturas de tradi�‹o oral na vida cultural do pa’s.

            Lucena (2018), no cap’tulo I – Fora do Prumo, discorre ainda sobre as estratŽgias de resist�ncia utilizadas pelos/as escritores/as Òno ‰mbito das poŽticas perifŽricas e popularesÓ. Menciona, a partir dos questionamentos de Judith Butler (posicionalidade estratŽgica) e James C. Scott (resist�ncia cotidiana), formas de resist�ncia presentes nas pr‡ticas dos/as escritores/as da literatura de cordel, que, para alguns setores do Òmeio eruditoÓ, podem parecer formas de submiss‹o.

Acredito que as pr‡ticas de Leandro Gomes de Barros, as estratŽgias utilizadas pelo poeta para conseguir Òviver de poesiaÓ, n‹o adquiram esse car‡ter de submiss‹o, mesmo quando aparecem em meios eruditos. O tr‰nsito entre os Òlocais da culturaÓ (BHABHA, 2005) por onde transitava revela, talvez, muito mais uma inser�‹o pelas bordas, com a inten�‹o de fazer parte do centro, do que uma submiss‹o, mesmo que estratŽgica. Leandro ocupa os jornais, as livrarias, os locais de prest’gio, ao mesmo tempo que vende seus folhetos nas feiras, viaja pelos interiores com sua mala e Òcompra brigaÓ na rua com aqueles que vendem seus poemas por Òdebaixo do balc‹oÓ.

Um escritor que vive da venda de seus folhetos, que circula por v‡rias cidades do Nordeste, que publica versos em um jornal de Juazeiro do Norte-CE, n‹o parece se encaixar no perfil tra�ado por alguns pesquisadores e repetido infinitas vezes nos estudos sobre a chamada poesia popular. Vejamos a biografia presente no site da Funda�‹o Casa de Rui Barbosa:

Sua atividade poŽtica o obriga a viajar bastante por aqueles sert›es para divulgar e vender seus poemas e tal fato Ž comentado por seus contempor‰neos, Jo‹o Martins de Ata’de e Francisco das Chagas Baptista [...]. Foi um dos poucos poetas populares a viver unicamente de suas hist—rias rimadas, que foram centenas. Leandro versejou sobre todos os temas, sempre com muito senso de humor.[69]

            Nascido na cidade de Pombal-Parahyba, em 1865, mas criado atŽ os quinze anos na cidade de Teixeira, Ž poss’vel afirmar que a forma�‹o de escritor passa pela m‹o de padres da Igreja Cat—lica (era sobrinho do Padre Vicente Xavier de Farias), de poetas/cantadores da cidade, como Francisco Romano, Germano da Lagoa e Silvino Pirau‡, de frequentadores das livrarias, tipografias e reda�›es de jornais e do mercado S‹o JosŽ, na cidade de Recife, sem falar nos trilhos do trem. Como sabemos, a Rede Ferrovi‡ria do Nordeste (antiga Great Western of Brazil Ry) unia os estados do Rio Grande do Norte, Para’ba, Pernambuco e Alagoas. Nesse mapa est‹o interligadas as cidades de Recife, Fortaleza, Teresina e depois BelŽm, que passou a ser um centro de produ�‹o e distribui�‹o de folhetos no Brasil.

As andan�as de Leandro Gomes pelos sert›es sempre aparecem nas notas biogr‡ficas. O que nunca aparece Ž a sua atua�‹o no meio intelectual da cidade de Recife, o conv’vio entre os Òhomens de letrasÓ, as conversas na Livraria Contemporanea, visitas ˆs bibliotecas e gabinetes de leitura (disso n‹o tenho not’cia, mas quero poder imaginar que, de fato, aconteciam).

ƒ poss’vel desenhar um mapa de percurso do poeta na cidade do Recife: da rua 1¼ de Mar�o, onde se localizava a Livraria Contemporanea, para o Mercado S‹o JosŽ eram 7 minutos a pŽ; o Gabinete Portugu�s de Leitura ficava a 2 minutos da Livraria e a C‰mara Municipal, onde funcionou a Biblioteca Provincial (no per’odo de 1875 a 1930), a 14 minutos, com uma passagem pela ponte Santa Isabel, œltima ponte sobre o rio Capibaribe.

Leandro Gomes de Barros, que escrevia, imprimia e vendia seus folhetos, tambŽm fazia suas performances nos mercados e esta�›es de trem, conversava com intelectuais da cidade, pagava anœncios de suas produ�›es nos jornais e denunciava Òalguns indiv’duos [por] venderem livros de versos com o seu nomeÓ, como pudemos acompanhar nesse estudo. Ruth Terra informa que o poeta vendia seus folhetos nas ruas de Recife, nos bares do largo das Cinco Pontas, nas esta�›es de trem e dentro dos trens (TERRA, 1983). Essa informa�‹o parece ter contaminado todas as outras a�›es do poeta, como se vender folhetos na rua e nas esta�›es de trem o impossibilitasse de tambŽm publicar seus versos em jornais e participar de ciclos de conversa e trocas de experi�ncias de leitura em locais frequentados pela elite intelectual da cidade. Um pœblico urbano, com pr‡ticas de sociabilidade que envolvem os gabinetes de leitura, as bibliotecas, as livrarias, parece n‹o fazer parte da hist—ria da literatura de cordel. E essa imagem vai se propagando nos v‡rios estudos sobre o g�nero.

Por fim, retomo a discuss‹o sobre cartografias e mapas na tentativa de imprimir mais alguns versos a essa narrativa. Para Harley (1990), a cartografia nunca Ž apenas o desenho de mapas – ela Ž a fabrica�‹o de mundos. E j‡ que eu posso fabricar mundos, mas n‹o sem muito esfor�o e apoiada em alguma documenta�‹o, imagino um mundo separado por um oceano, mas unido por poetas e cantadores, tip—grafos e homens de neg—cio.[70] Conversas na Livraria Contemporanea, visitas aos jornais e tipografias, calorosos debates em pra�as pœblicas. As trocas culturais, nesse mundo globalizado do sŽculo XIX, como afirma Jean-Yves Mollier (2008), desafiam as fronteiras que n—s mesmos, pesquisadores desse sŽculo XXI, insistimos em levantar. E se, no g�nero editorial cordel, BelŽm fica bem mais perto de Recife do que a Parahyba, o Porto fica logo ali.

 

 

Refer�ncias

 

ABREU, M‡rcia. Hist—rias de cordŽis e folhetos. Campinas, SP: Mercado de Letras; Associa�‹o de Leitura do Brasil, 1999.

 

ANSELMO, Artur. Hist—ria da edi�‹o em Portugal, vol. 1, [s.l], Lello & Irm‹o, 1991.

 

BHABHA, Homi K. O local da cultura. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 2005.

 

CHARTIER, Roger. A ordem dos livros. Tradu�‹o Leonor Gra�a. Lisboa: Vega, 1997.

 

CURY, Maria Zilda Ferreira. Novas geografias narrativas. Letras de Hoje, Porto Alegre, v. 42, n. 4, p. 7-17, 2007.

 

FERNANDES, Frederico. O atributo da voz: poesia oral, estudos liter‡rios, estudos culturais e abordagem cartogr‡fica. Revista Anpoll, v. 1, n. 33, 136-157, 2012.

 

GOMES, Assis Daniel. Hist—ria e literatura: a se�‹o ÒLyra popularÓ no jornal o ÒRebateÓ de ÒJoaseiroÓ (1909-1910). Miguilim – Revista Eletr™nica do Netlli, V. 2, N. 3, set.-dez, 2013, p. 27-44.

 

HALLEWLL, L. O livro no Brasil: sua hist—ria. S‹o Paulo: T.A. Queiroz, 1985.

 

HARLEY, J. B. Cartography, Ethics and Social Theory. Cartogr‡phica 27 (2), p. 1-23, 1990.

 

HOFFMAN, Eva. The New Nomads. In: ACIMAN, AndrŽ, ed. Letters of Transit: reflections on exile, identity, language, and loss. New York: The New York Press/The New York Public Library, 1999.

 

LAJOLO, Marisa. O pre�o da leitura: Gon�alves Dias e a profissionaliza�‹o de um escritor brasileiro oitocentista. In: ABREU, Marcia; SCHAPOCHNIK, Nelson (orgs.). Cultura letrada no Brasil: objetos e pr‡ticas. Campinas, SP: Mercado de Letras, Associa�‹o de Leitura do Brasil; S‹o Paulo: FAPESP, 2005. p. 61-73.

 

LUCENA, Bruna Paiva de. PoŽticas a cŽu aberto: o cordel e a cr’tica liter‡ria. Bras’lia: Edi�›es Carolina, 2018. (Edi�‹o Kindle)

 

MARTIN-BARBERO, JŽsus. Of’cio de cart—grafo: travessias latino-americanas da comunica�‹o na cultura. Tradu�‹o Fidelina Gonz‡les. S‹o Paulo: Edi�›es Loyola, 2004. (Cole�‹o comunica�‹o contempor‰nea 3)

 

MELO, Rosilene Alves de. Arcanos do verso: trajet—rias da literatura de cordel. Rio de Janeiro: 7Letras, 2010.

 

MOLLIER, Jean-Yves. A leitura e seu pœblico no mundo contempor‰neo - Ensaios sobre Hist—ria Cultural. S‹o Paulo: Aut�ntica, 2008.

 

PINTO, Ant—nio Costa; MONTEIRO, Nunno Gon�alo (dir.). Hist—ria contempor‰nea de Portugal: 1808-2010. V. 2. A constru�‹o nacional (1834-1890). Lisboa: funda�‹o Mapfre; Objectiva, 2013.

 

SARAIVA, Arnaldo. Folhetos de cordel e outros da minha cole�‹o. Porto: Biblioteca Municipal Almeida Garret, 2006.

 

SCHAPOCHNIK, Nelson. A leitura no espa�o e o espa�o da leitura. In: ABREU, Marcia; SCHAPOCHNIK, Nelson (orgs.). Cultura letrada no Brasil: objetos e pr‡ticas. Campinas-SP: Mercado de Letras; Associa�‹o de Leitura do Brasil; S‹o Paulo: FAPESP, 2005. p. 229-243.

 

TERRA, Ruth. Mem—ria de lutas: literatura de folhetos do Nordeste, 1893-1930. S‹o Paulo: Global Editora, 1983.

 

VENåNCIO, Gisele Martins. Lisboa – Rio de Janeiro – Fortaleza. Os caminhos da cole�‹o Biblioteca do Povo e das Escolas tra�ados por David Corazzi, Francisco Alves e Gualter Rodrigues. Cultura - Revista de Hist—ria e Teoria das Ideias, vol. 21, 2005.

 

 

[Recebido: 29/12/2020 – Aceito: 29/12/2020]



[67] Professora do Departamento de Letras Cl‡ssicas e Vern‡culas e do Programa de P—s-Gradua�‹o em Letras da UFPB.

[68] A pesquisa aqui apresentada foi feita durante o est‡gio de p—s-doutorado, realizado sob a supervis‹o do professor Francisco Topa, na Universidade do Porto, entre setembro de 2013 e agosto de 2014.

[69] Cole�‹o Cordel. Dispon’vel em: http://www.casaruibarbosa.gov.br/cordel/. Acesso em: 29 dez. 2020.

[70] N‹o tive acesso a pesquisas que tratem da atua�‹o das mulheres nesse campo, mas fica aqui o convite para futuras investiga�›es.