Um convite ˆ roda da cultura popular

 

 

 

O dossi� AS MANIFESTA‚ÍES DA CULTURA POPULAR E SEUS MòLTIPLOS DIçLOGOS se d‡ em uma roda, cujos membros brincantes, nesse espa�o, se d‹o as m‹os criando um c’rculo infinito, forte e colaborativo. Nessa roda, enquanto uma pessoa est‡ no centro, cantando, contando e performatizando sua hist—ria, seu enredo, as demais coparticipam num giro de saberes, sorrisos, corpos e vozes.

Nesse dossi�, tornamos pœblica uma sŽrie de estudos e viv�ncias org‰nicas sobre manifesta�›es da cultura popular. Aqui, cultivamos a pluralidade de saberes e sabores que nascem, crescem e resistem em meio ao povo e por ele. Esses conhecimentos se formam por uma multiplicidade de vozes, de pensamentos; se constituem vivos nos corpos que resistem ao tempo, ˆs lutas e tentativas de apagamento.

Essa roda da cultura Ž sem fim, porque se alimenta da vida cotidiana do povo. Enquanto houver povo, haver‡ cultura, que se manifestar‡ por meio da palavra, ressignificada e personificada na palavra-letra, na palavra-voz, mas tambŽm na palavra-corpo, na palavra-tinta, na palavra-barro...

Por meio da palavra Ž que o ser se faz homem e mulher, mas Ž por meio da cultura que esse homem e essa mulher se fazem gente. Por isso, fazemos um convite ˆ leitura desse dossi�. Ele n‹o Ž mais um arquivo, daqueles que escondem papŽis, conhecimentos. Os textos que comp›em esse acervo ganham for�a se lidos n‹o s— com os olhos mas, num movimento circular-sinestŽsico, se forem sentidos com o corpo, se suas vozes forem ouvidas, o gosto dos seus sentidos forem saboreados, porque cultura existe para ser degustada, e que nossos pelos se ericem diante de suas pot�ncias, e os nossos cora�›es jubilem frente a alma desse ente vivo.

Esse dossi� Ž uma declara�‹o pœblica em defesa da cultura popular, que brota em lugares subalternizados, mas que se espalha por onde quer e como quer, encontrando novos cultivos, outros agricultores. N—s, seres humanos, somos aqueles e aquelas que aram essa terra, o espa�o humano, onde se faz cultura todos os dias e, por ela, se vive e se transforma a vida, e se muda o mundo:

 

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A cultura Ž o instrumento do ser pensante, brincante e sentinte. As reflex›es e atos que dela surgem v�m em forma de dan�a, de riso, de for�a, do olhar e do tocar; brota da admira�‹o e, por conseguinte, da tomada de consci�ncia, individual e coletiva, respectivamente, por isso mesmo, o espa�o cultural Ž sempre lugar de rememora�‹o e celebra�‹o, mesmo que disso resulte indigna�‹o, resist�ncia e luta. Assim, nesse dossi�, entram tambŽm na roda:

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ƒ que o povo luta com a sua voz, com as suas marchas, mas tambŽm com seu bailar, sua pintura, seus sonhos, sorrisos e l‡grimas. Por isso, a roda, que se forma nesse dossi�, Ž movimento cont’nuo, que muda de cad�ncia, conforme o tema, mas nunca perde o ritmo; alterna a melodia, sem desfocar a performance; e toda essa cinesia simboliza a vida e a humanidade em seu estado mais pleno:

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Nesses artigos, vemos mœltiplos corpos, vozes; belezas t‹o distintas, tra�os fortes das gentes que fazem a cultura popular nos espa�os pœblicos, privados, nos livros e m’dias. A palavra G-E-N-T-E, sin™nimo de P-O-V-O, parece significar algo t‹o amorfo, mas, na verdade, n‹o h‡ dicion‡rio que consiga, atŽ hoje, atribuir sentido definitivo a elas; n—s, povo-gente, n‹o somos sem forma, pelo contr‡rio, temos v‡rios aspectos, diversas fisionomias. N‹o h‡ molde que nos encaixe e nos aprisione, porque nos (re)adequamos ˆ vida, ao contexto e ao pretexto. ƒ desse modo que a roda da cultura popular se amplia, recebendo novos brincantes:

 

Quem encerra essa roda/nœmero da Revista Boitat‡ Ž Ariano Suassuna, com sua fala/canto em BREVE PROSA COM ARIANO SUASSUNA OU A HISTîRIA DO HOMEM QUE LEVOU OS CANTADORES AO TEATRO E MOSTROU OUTROS RUMOS PARA A CANTORIA.

Dessa forma, os di‡logos presentes nesse dossi� s‹o excertos de manifesta�›es diversificadas, que se revelam numa profus‹o de sons, cores e sabores. S‹o discursos de autoconhecimento e da compreens‹o do outro. S‹o modos de vida e formas de a�‹o que precisam ser conhecidas e experenciadas.

Por fim, vamos ˆ roda!

 

Nerivaldo Alves Araœjo

https://orcid.org/0000-0001-9423-3603

 

Jo‹o Evangelista do Nascimento Neto

https://orcid.org/0000-0003-4937-7311