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Porque o Serviço Social não é trabalho? |
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* Assistente
Social/UEL
dala_pola@yahoo.com.br
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RESUMO: PALAVRAS CHAVE : Trabalho,
trabalho produtivo, Serviço Social e trabalho. ABSTRACT: KEY WORDS: Work, Productive Work, Social Services |
Introdução
Este artigo discute o argumento
central do Professor Sergio Lessa segundo o qual o Serviço Social não pode ser
considerado trabalho porque não transforma a natureza. De acordo com ele “...em
primeiro lugar, e antes de qualquer coisa, porque
o Serviço Social não realiza a transformação da natureza nos bens materiais
necessários à reprodução social” (LESSA,
2000, pág. 52). A nossa pretensão é fazer uma primeira aproximação à polêmica já
instalada.
No debate acerca do que tem se
convencionado denominar “as transformações do mundo do trabalho”,
“reestruturação produtiva” e outros termos semelhantes, alguns autores defendem
a centralidade da categoria trabalho
como fundante do mundo dos homens. Estes se opõem polemicamente àqueles que
relativizam e, no limite, negam a determinação do trabalho na constituição do
ser social. A polêmica não se restringe ao plano teórico nem ao espaço
acadêmico, uma vez que, o questionamento da centralidade do trabalho tem
conseqüências políticas que afetam as estratégias do movimento dos
trabalhadores.
Essa polêmica afeta
também o serviço social. Nada mais natural no caso de uma categoria
profissional cujas vanguardas têm se caracterizado por assumir explicitamente
um direcionamento crítico. Fica evidente, a partir disso, a importância de
refletir acerca dos vínculos entre o Serviço Social e a categoria trabalho, com
todas suas implicações. Determinar estes vínculos tornou-se uma via de acesso
para compreender como se insere esta profissão na sociedade capitalista.
O debate se intensificou
principalmente, após a aprovação pela ABESS[1]
(Associação Brasileira de Ensino
Contra esta interpretação
de o Serviço Social ser uma forma do trabalho social coloca-se Lessa, da
Universidade Federal de Alagoas, que vem afirmando claramente que o Serviço
Social não é trabalho. Trata-se de uma tese provocativa, porém fecunda, na
medida que obriga a precisar melhor a real inserção do Serviço Social na
divisão social e técnica do trabalho.
Neste artigo pretendemos
discutir o argumento central de Lessa, para quem a nossa profissão não seria
trabalho porque não transforma a natureza.[3]
Porque o Serviço Social não seria trabalho?
Lessa afirma que este
debate surgiu nas discussões acerca da formulação das novas diretrizes
curriculares dos cursos de graduação, representando um avanço teórico para a
categoria profissional, um amadurecimento e uma mudança na relação desta com as
Ciências Humanas. O Serviço Social teria desta forma saído da relação de
subalternidade histórica travada com as Ciências Humanas. (LESSA, 2000, P. 37)
A reflexão acerca do
Serviço Social e a categoria trabalho não deve restringir-se, segundo o autor,
ao aspecto instrumental, mas deve remeter-se, dentre outros aspectos, à análise
dos fundamentos filosóficos e ideológicos presentes neste debate.
O autor alega fundamentar
sua concepção de trabalho nas formulações de Karl Marx, para quem o trabalho é
a categoria fundante do mundo dos homens, sendo a partir dele possível aos
homens construírem a sua própria história. O trabalho constitui-se na categoria
fundante em virtude de ser
[...]
na relação com a totalidade social, [...] o local por excelência da produção
das necessidades por novas relações sociais (categorias e complexos) que
marcarão o desenvolvimento histórico do gênero humano." (LESSA, 2000, p.
49).
Desta maneira, o trabalho
modifica também a própria natureza [social] do homem e conseqüentemente a
sociedade. No final do processo de trabalho o homem já não é mais o mesmo,
adquiriu "[...] novas habilidades e conhecimentos e, portanto, também
[...] novas necessidades [...]." (LESSA, 2000, p. 51)
O trabalho tem uma função
social particular e específica na relação com a totalidade social, que é de
transformar a natureza em bens materiais necessários a reprodução social
"[...] o trabalho é um processo entre o homem e a Natureza, um processo em
que o homem, por sua própria ação, media, regula e controla seu metabolismo com
a Natureza [...]." (MARX apud LESSA, 2005, p. 2)
No modo de produção
capitalista maduro, em que a grande industria já se desenvolveu e aparece como
a premissa de toda produção, alterou-se também a base sobre a qual vinha se
desenvolvendo até então a produção. Não se trata mais agora do trabalho
executado pelo artesão ou mesmo pelo operário isolado, mas do trabalho
realizado por um organismo criado pelo capital, o trabalhador coletivo.
O conceito desenvolvido
acerca do trabalho coletivo por Lessa também tem por base o exposto por Marx,
[...]
de um pessoal combinado de trabalho, cujos membros se encontram mais perto ou
mais longe da manipulação do objeto de trabalho. Com o caráter cooperativo do
próprio processo de trabalho amplia-se (erweiter
sich), portanto, necessariamente o conceito de trabalho produtivo e de seu
portador, do trabalhador produtivo. Para trabalhar produtivamente, já não é
necessário, agora pôr pessoalmente a mão na obra; basta ser órgão do
trabalhador coletivo, executando qualquer uma de suas subfunções. (MARX apud
LESSA, 2005, p. 12).
Fica evidente nesta
passagem a ampliação do conceito de trabalho. Agora não é o trabalhador
considerado individualmente que realiza a transformação da natureza, mas o
trabalhador coletivo, que no seu conjunto produz os meios materiais necessários
à reprodução social.
Entretanto, Lessa chama a
atenção para a presença de uma distinção dentro do trabalhador coletivo,
segundo a qual nem todos realizam a transformação da natureza, sendo assim, nem
todos fariam parte do trabalhador coletivo. Ou seja, só constituem o
trabalhador coletivo, aqueles trabalhadores produtivos que transformam a
natureza. (LESSA, 2005)[4].
Aponta ainda, uma diferença existente dentro do trabalhador coletivo, este
englobaria tanto o trabalho - entendido aqui enquanto transformação da natureza
- quanto outras atividades que somente produzem mais-valia, ou seja, que são
produtivas.
É importante salientarmos
aqui, que Lessa admite haver produção de mais-valia oriunda de atividades que
ele não considera trabalho.
Considerando
[...] a produção de mais-valia, a relação entre o professor e o capitalista é
exatamente a mesma que se desdobra entre o capitalista e o proletário. As
forças de trabalho do professor e do proletário são compradas pelos seus
respectivos valores, o tempo de trabalho socialmente necessário para reproduzir
cada uma delas. [...] Ambas as forças de trabalho, portanto, foram compradas
pelo seu valor de uso específico: é a única mercadoria que, uma vez consumida,
gera maior valor que o seu próprio. A forma de exploração (se não a intensidade
da exploração) é exatamente a mesma: a extração da mais-valia. Os lucros do
dono da ‘fábrica de saber’e do dono da ‘fábrica de salsichas’ têm suas origens
na mesma relação social, qual seja, a relação capital/trabalho produtivo. Tal
como o proletário, portanto, o mestre-escola também produz mais-valia. [...]
Enquanto o proletário trabalha sobre uma matéria da qual está ausente a
consciência, a ação do professor visa primordialmente a consciência do aluno.
[...] isto faz com que a própria práxis dos professores seja ontologicamente
distinta da práxis proletária não apenas no seu conteúdo, não apenas na sua
função social, mas até mesmo na sua forma imediata [...].(LESSA, 2005, p. 22).
Percebemos uma
contradição no pensamento desse autor, já que admite a existência da produção
da mais-valia por atividades assalariadas que no seu entendimento não são
trabalho, justificando esta afirmação exatamente na origem da mais-valia, ou
seja, uma teria sido produzida, enquanto a outra só valorizou capital, não
acrescentando nenhum valor à riqueza social.
Há,
portanto, duas conseqüências possíveis da geração da mais-valia. Quando a
mais-valia é produzida pela conversão da natureza no ‘conteúdo material da riqueza’,
a riqueza social total é acrescida pelo tempo de trabalho que o proletário
plasmou na nova mercadoria. Todavia, quando a mais-valia é produzida fora da
relação com a natureza, o que temos é um processo em que um dado montante de
riqueza social já produzida pelo proletário, [...] é transferido para o
dono da escola, em seguida, parte é transferido ao professor sob a forma de
salário.[5]
(LESSA, 2005, p. 22).
No nosso entendimento, o
autor, ao fragmentar o trabalho coletivo - entre aqueles que manipulam a
natureza e aqueles que não, distorce de forma decisiva o pensamento de Marx,
segundo o qual o trabalhador não deve ser analisado individualmente quanto à
transformação da natureza, mas sim na coletividade. Ou seja,
A
determinação original [...] de trabalho produtivo, derivada da própria natureza
da produção material, permanece sempre verdadeira para o trabalhador coletivo,
considerado como coletividade. Mas ela já não é válida para cada um de seus
membros, tomados isoladamente. (Marx, 1985c, p.105)
Mas o centro da posição de
Lessa consiste na negação do Serviço Social ser trabalho. Para fundamentar a
sua tese ele afirmará que como o trabalho é um processo exclusivo entre homem e
a natureza, o objeto de trabalho só pode ser a própria natureza, em seu estado
bruto, ou transformada
Posto isso, o autor
conclui que "[...] Portanto, nas relações entre os homens, não temos, para
Marx, nem a presença de matéria-prima nem o emprego de 'meios de trabalho'
[...]." (LESSA, 2005, p.10).
Por que o Serviço Social não é trabalho? Pergunta num subtítulo do seu artigo
“Serviço Social e Trabalho: do que se trata?” e responde assim:
Em
primeiro lugar, e antes de qualquer coisa, porque
o Serviço Social não realiza a transformação da natureza nos bens materiais
necessários à reprodução social. Não cumpre a função mediadora entre os
homens e a natureza; pelo contrário, atua nas relações puramente sociais, nas
relações entre os homens. (LESSA, 2000, pág. 52). [destaque nosso]
Embora nos seus escritos
Lessa desenvolva outros raciocínios, vamos nos ater aqui na consideração deste
argumento que consideramos ser o essencial.
Do mesmo modo que Lessa
procura na letra de Marx amparo para o seu argumento, buscaremos em alguns
escritos marxianos o que ele diz sobre este assunto.
Citamos
a seguir uma longa passagem de Marx na qual expõe nitidamente o seu conceito de
trabalhador coletivo.
[...] com o desenvolvimento da subordinação real do
trabalho ao capital ou do modo de produção especificamente capitalista não é o
operário individual que se converte no agente (Funktionar. Al.) real do processo de trabalho no seu conjunto mas
sim uma capacidade de trabalho socialmente combinada; e, como as diversas
capacidades de trabalho que cooperam e formam a máquina produtiva total
participam de maneira muito diferente no processo imediato de formação de
mercadorias, ou melhor, neste caso, de
produtos - um trabalha mais com as mãos, outro mais com a cabeça, este como
diretor (manager. Ing.), engenheiro (engineer. Ing.), técnico etc., aquele
como capataz (overlooker. Ing.),
aqueloutro como operário manual ou até como simples servente - temos que são
cada vez em maior número as funções da
capacidade de trabalho incluídas no conceito imediato de trabalho produtivo, diretamente
explorados pelo capital e subordinados
em geral ao seu processo de valorização e de produção. Se se considerar o trabalhador coletivo constituído pela
oficina, a sua atividade combinada
realiza-se materialmente e de maneira
direta num produto total que,
simultaneamente, é uma massa total de mercadorias e aqui é absolutamente
indiferente que a função deste ou daquele trabalhador, mero elo deste
trabalhador coletivo, esteja mais próxima ou mais distantes do trabalho manual
direto. Porém, então, a atividade desta capacidade de trabalho coletiva é o seu
consumo direto pelo capital, ou por
outra, o processo de autovalorização do capital, a produção direta de
mais-valia e [...] (MARX, 1985b, p. 110)
Nesta
citação aparece o que Marx entende por trabalhador coletivo. Nada se diz aqui de “diferenciações”
dentro do trabalhador coletivo como quer Lessa. Todo o contrário. Marx
explicita a absoluta indiferença de
“...que a função deste ou daquele
trabalhador, mero elo deste trabalhador coletivo, esteja mais próxima ou mais
distantes do trabalho manual direto”. Mais ainda, o que Marx destaca, e
isso nos parece decisivo, é o atributo essencial do trabalho coletivo. Qual
seja, o de valorizar capital pelo seu consumo direto.
Algumas páginas adiante
Marx volta sobre esta questão ao explicar que o produto específico do processo
capitalista de produção, ou seja, a mais valia, é gerado pelo intercâmbio com o
trabalho produtivo e, o que
[...]
constitui valor de uso específico do trabalho produtivo para o capital não é o seu caráter útil determinado,
nem tampouco as qualidades úteis particulares do produto em que se objetiva,
mas o seu caráter de elemento criador de valor de troca (mais valia). (MARX,
1985b, pág. 114).
Por isso que um trabalho
de idêntico conteúdo pode ser produtivo ou improdutivo e exemplifica com o caso
da cantora que enquanto canta como um pássaro é improdutiva, mas, quando
contratada por um empresário para cantar e ganhar dinheiro se torna produtiva.
Mesma situação do professor (mestre escola no exemplo de Marx). É claro que
Marx chama a atenção para a circunstancia de que
[..]
os trabalhos que só se desfrutam como serviços não se transformam em produtos
separáveis dos trabalhadores – e, portanto existentes independentemente deles
como mercadorias autônomas – e, embora possam ser explorados de maneira
diretamente capitalista, constituem
grandezas insignificantes se os compararmos
com a massa da produção capitalista. (MARX,
1985b, p. 116).
Mas, precisamente no
momento em que toma todos os cuidados em definir o peso destes trabalhos no
conjunto de sua análise, Marx se refere a eles como o que são: trabalho. Não faz qualquer distinção
entre transformar diretamente ou indiretamente a natureza. Toma inclusive como
exemplo atividades que não têm vinculo nenhum com a transformação da natureza.
Uma outra objeção que
pode ser colocada ao argumento de Lessa é a seguinte: Se admitirmos, de acordo
com Marx que o valor é tempo de trabalho socialmente necessário e que, apenas o
trabalho útil produz valor, como pode uma atividade que produz valor (a do
assistente social, e Lessa admite isso[6])
não ser então trabalho? Ou o valor então não é mais trabalho – e nesse caso
estamos fora do campo marxista – ou tem que se admitir que o Serviço Social é
trabalho.
A força de trabalho do
assistente social é uma mercadoria que, no caso de ser apropriada pelo capital,
valorizará o capital por constituir-se em parte do trabalho coletivo. Mas no
caso de ser apropriada pelo Estado, não valorizará capital, pois o salário que
recebe provem dos impostos, ou seja, não é um recurso destinado a se auto-valorizar,
a se acumular. Em ambos os casos, permanece inalterada a condição assalariada,
ou seja, a transformação de sua força de trabalho em mercadoria, de cuja venda
depende para sobreviver. Por isso, a sua “atividade” é sim trabalho, do mesmo
modo que é o trabalho de qualquer operário que entra em contato físico direto
com a “natureza” que precisa transformar.
Quanto à práxis do
assistente social (ou do professor no exemplo usado por Lessa) ser ontologicamente
distinta da práxis proletária no seu “... conteúdo, função social e até na
forma imediata” (Lessa, 2005, pág. 22), parece-nos que incorre numa
deshistorizisação do trabalho, pois, o “conteúdo” de qualquer trabalho no
capitalismo maduro é determinado pelo capital que adquire a mercadoria força de
trabalho; a “função social” – que, de acordo com o que ele reconhece é a de
valorizar capital – é a mesma da de qualquer proletário e a “forma imediata” é
absolutamente irrelevante na geração de valores. De modo que ontologicamente
pouco avançou o seu argumento para provar que o Serviço Social não é trabalho.
Todavia, é útil neste
ponto refletir sobre a circunstância criada no capitalismo monopolista no qual
atividades que antes estavam fora do “mercado” são crescentemente incorporadas
à órbita mercantil.
Na fase do capitalismo monopolista, o primeiro passo
na criação do mercado universal é a conquista de toda a produção de bens sob a
forma de mercadoria; o segundo passo é a conquista de uma gama crescente de
serviços e sua conversão em mercadorias; e o terceiro é um “ciclo de produto”,
que inventa novos produtos e serviços, alguns dos quais tornam-se
indispensáveis à medida que as condições da vida moderna mudam para destruir
alternativas. Desse modo, o habitante da sociedade capitalista é enlaçado na
teia trançada de bens-mercadoria e serviços-mercadoria da qual há pouca
possibilidade de escapar mediante parcial ou total abstenção da vida social tal
como existe. [...] No fim, a população acha-se quer queira quer não, na
situação de incapacidade de fazer qualquer coisa que facilmente não possa ser
feito mediante salário no mercado, por um dos múltiplos ramos novos do trabalho
social. (Braverman, 1987, pág. 239).
Quer dizer, o capitalismo
monopolista no seu movimento imanente encarregou-se de transformar em
mercadorias até os serviços, incluídos ai os serviços sociais – objeto de nossa
profissão – como são testemunhos os inúmeros convênios de assistência
médico-hospitalar, a mercantilização da educação em todos os níveis e até a
venda de convênios para realizar sepultamentos que são vendidos no mercado.
Na dificuldade para se
enxergar a atividade do assistente social como trabalho, manifesta-se –
queremos crer que involuntariamente –, a mesma confusão denunciada por Marx no
seu Capítulo VI inédito de O Capital.
Só a tacanhez mental da burguesia, que tem por
absoluta a forma capitalista de produção, e que, conseqüentemente, a considera forma
natural da produção, pode confundir a questão do trabalho produtivo e do
trabalhador produtivo do ponto de vista do capital, com a questão do trabalho
produtivo em geral, contentando-se assim com a resposta tautológica de que é
produtivo todo o trabalho que produz, em geral, ou que desemboca num produto,
ou num valor de uso, em resumo: num resultado. (MARX, 1985b, p. 109)
[destaque nosso]
Pois, na sua argumentação
Lessa insiste em considerar como trabalho apenas a atividade que resulta num produto, num valor de uso, num bem
palpável.
Estas observações têm a
finalidade de iniciar apenas uma análise mais abrangente dos argumentos de Lessa
e de outros autores. Contudo, consideramos importante ao fazê-lo, reafirmarmos
a nossa concordância com as diretrizes curriculares segundo as quais “... a
profissionalização do Serviço Social [é uma] especialização do trabalho e
sua prática [uma] concretização de um processo de trabalho” (ABESS,
1996. Currículo Mínimo do Serviço Social).
A definição acima não
resolve todos os problemas teóricos que o Serviço Social enfrenta, mas,
certamente é um caminho fecundo para resolvê-los. Renunciar a ela, pelo
contrário, pode significar um retrocesso que reforçaria a subalternidade desta
profissão na divisão social do trabalho.
ABESS/CEDEPSS. Currículo mínimo para o curso de
Serviço Social (aprovado
BRAVERMAN, Harry. Trabalho e Capital Monopolista. A
degradação do trabalho no século XX. Rio de Janeiro, Editora Guanabara, 1987.
COSTA, G. M. Aproximação ao Serviço Social como
complexo ideológico. Temporalis, Brasília,
ano 1, n. 2, p.95-119, jul./dez. 2000.
LESSA, S. Trabalho
e trabalho abstrato, trabalhador e proletário. Maceió, [mime] 2005.
(Material não publicado).
LESSA, S. Serviço Social e trabalho: do que se trata? Temporalis, Brasília, ano 1, n.2,
p.35-58, jul./dez. 2000.
MARX, K. O Capital: crítica da economia
política. Tradução por Regis Barbosa e Flávio R. Kothe. São Paulo: Abril
Cultural, 1985a. Livro 1, v.1, t.1. (Os economistas).
MARX, K. Capítulo VI
inédito de O Capital: resultados do processo de produção imediata. São
Paulo: Moraes, 1985b.
MARX, K. O Capital: crítica da economia
política. Tradução por Regis Barbosa e Flávio R. Kothe. São Paulo: Abril
Cultural, 1985c. Livro 1, v. 1, t. 2 (Os
economistas).
[1]
Que atualmente chama-se ABEPSS (Associação
Brasileira de Ensino e Pesquisa
[2] “4.3. - Núcleo de Fundamentos do Trabalho Profissional: O conteúdo deste núcleo considera a profissionalização do Serviço Social como uma especialização do trabalho e sua prática como concretização de um processo de trabalho que tem como objeto as múltiplas expressões da questão social. Tal perspectiva, permite recolocar as dimensões constitutivas do fazer profissional articuladas aos elementos fundamentais de todo e qualquer processo de trabalho: o objeto ou matéria prima sobre a qual incide a ação transformadora; os meios de trabalho - instrumentos, técnicas e recursos materiais e intelectuais que propiciam uma potenciação da ação humana sobre o objeto; e a atividade do sujeito direcionada por uma finalidade, ou seja, o próprio trabalho.” (ABESS, 1996. Currículo Mínimo do Serviço Social).
[3] É claro que em defesa de sua tese Lessa incorpora outras idéias e raciocínios, todos muito pertinentes, mas, neste artigo nos limitaremos ao questionamento inicial do seu argumento essencial.
[4] Assim, no interior dos trabalhadores produtivos, temos já uma diferença importante: embora todos eles produzam mais-valia, nem todos eles realizam o intercâmbio orgânico com a natureza. Nem todos eles pertencem, portanto, ao trabalhador coletivo. (Lessa, 2005. pag. 14).
[5] Aqui Lessa distorce a explicação marxiana, pois, a mais valia é valor e o que carateriza precisamente o valor é a indeterminação da forma concreta em que se gasta a força humana de trabalho (forma que só interessa na determinação do valor de uso) O valor é, de acordo com Marx, tempo de trabalho socialmente necessário considerado na sua forma abstrata, o que quer dizer, na nossa modesta opinião, independente da sua forma concreta, da sua forma determinada. Ou seja, tanto produz valor o trabalho do operário que torneia um pedaço de aço quanto o professor que ministra aula numa fábrica de diplomas.
6] “Tal como o proletário, portanto, o mestre-escola também produz mais-valia” (LESSA, 2005, pág. 22).