O objetivo deste artigo é compreender os modos de historicidade presentes no suplemento Anexo, caderno de cultura e artes publicado no jornal Diário do Paraná no final da década de 1970, com a intenção de ser um espaço gráfico de experimentação artística, uma tentativa de fazer arte no jornal. Partindo da ideia de Eric Landowski, segundo a qual todo jornal conta uma determinada história do presente, interessa compreender que tipo de história e de figurações da temporalidade o suplemento produzia. Para isso, se utilizará os conceitos de heterotopia, entendendo os suplementos de arte/cultura como espaços outros em relação à diagramação corrente dos jornais, e de heterocronia, buscando os modos de experiência do tempo produzidos no interior desses espaços. A intenção é demonstrar que o suplemento se utilizou da arte e de suas ficções para narrar uma história do presente que diagnosticou, no momento mesmo de sua emergência, o regime de historicidade presentista e, ao mesmo tempo, buscou perceber e dar voz a toda uma série de consistências virtuais que subsistiam nos interstícios de sua atualidade.
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