A voz da infância na mediação familiar: uma possibilidade para o sistema de justiça brasileiro?
DOI:
https://doi.org/10.5433/2178-8189.2026.v30.n2.54195Palavras-chave:
Escuta protegida, Mediação familiar, Participação infantojuvenilResumo
Este artigo resulta de uma pesquisa empírica cujo objetivo foi analisar de que maneira, sob a perspectiva dos genitores, a escuta da criança e do adolescente para a mediação familiar poderia ocorrer no Brasil, de modo a assegurar a efetivação do seu melhor interesse. Para a coleta de dados, foram aplicados questionários e realizadas entrevistas semiestruturadas com pais e mães que vivenciaram litígios judiciais nas Varas de Família de Fortaleza/CE. Os dados foram tratados pelo método de Análise de Conteúdo e analisados sob o prisma da literatura sobre infância, juventude e mediação familiar. Os dados indicaram que a escuta protegida, realizada por profissionais especializados, pode facilitar a reconfiguração parental e fortalecer a participação infantojuvenil, sem sobrecarregá-los com responsabilidades. A maioria dos genitores (84%) apoiou essa prática, destacando-se a importância da criação de protocolos estruturados e de mediadores capacitados. Embora sejam necessárias pesquisas adicionais para aperfeiçoar estratégias que equilibrem a escuta e a proteção de crianças e adolescentes no contexto da mediação, concluiu-se que o sistema jurídico brasileiro deve assegurar que eles sejam ouvidos com respeito nos processos de guarda e convivência, em conformidade com o Estatuto da Criança e do Adolescente e com a Convenção sobre os Direitos da Criança.
Downloads
Referências
AZUNGAH, Theophilus. Qualitative research: deductive and inductive approaches to data analysis. Qualitative Research Journal, United Kingdom, v. 18, n. 4, p. 383-400, 2018. DOI: https://doi.org/10.1108/QRJ-D-18-00035.
BIRNBAUM, Rachel. The voice of the child in separation/divorce mediation and other alternative dispute resolution processes: a literature review. Ottawa: Department of Justice Canada, 2009. Disponível em: https://www.justice.gc.ca/eng/rp-pr/fl-lf/divorce/vcsdm-pvem/pdf/vcsdm-pvem.pdf. Acesso em: 11 fev. 2025.
BORDONI, Jovina d’Avila. As oficinas de pais e filhos como instrumentos para coibir a alienação parental. Revista Jurídica Luso Brasileira, ano 4, n. 3, p. 609–626, 2018. Disponível em: https://www.cidp.pt/revistas/rjlb/2018/3/2018_03_0609_0626.pdf. Acesso em: 26 fev. 2025.
BRASIL. Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015. Código de Processo Civil. Brasília, DF: Presidência da República, 2015a. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm. Acesso em: 15 jan. 2025.
BRASIL. Lei nº 13.140, de 26 de junho de 2015. Dispõe sobre a mediação entre particulares como meio de solução de controvérsias e sobre a autocomposição de conflitos no âmbito da administração pública. Brasília, DF: Presidência da República, 2015b. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13140.htm. Acesso em: 2 jan. 2025.
CNJ - CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA. Curso de formação de expositores de oficinas de divórcio e parentalidade. Brasília, DF: CNJ, 2020. Disponível em: https://www.cnj.jus.br/programas-e-acoes/conciliacao-e-mediacao/curso-sobre-conciliacao-e-mediacao/curso-de-formacao-de-expositores-em-oficinas-de-divorcio-e-parentalidade/. Acesso em 26 fev. 2025.
CNJ - CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA. Justiça em números 2024. Brasília, DF: CNJ, 2024. Disponível em: https://www.cnj.jus.br/wp-content/uploads/2024/05/justica-em-numeros-2024.pdf. Acesso em: 28 jan. 2025.
CNJ - CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA. Proteção da criança na dissolução da sociedade conjugal. Brasília, DF: CNJ, 2022. Disponível em: https://www.cnj.jus.br/wp-content/uploads/2022/09/eixo2-primeira-infancia.pdfhttps://www.cnj.jus.br/wp-content/uploads/2024/04/minuta-protocolo-escuta-especializada-consulta-publica-v25-4.pdf. Acesso em: 28 jan. 2025.
CNJ - CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA. Resolução nº 125, de 29 de novembro de 2010. Dispõe sobre a Política Judiciária Nacional de tratamento adequado dos conflitos de interesses no âmbito do Poder Judiciário e dá outras providências. Brasília, DF: CNJ, 2010. Disponível em: https://atos.cnj.jus.br/atos/detalhar/atos-normativos?documento=156. Acesso em: 1 jan. 2025.
GRAY, David E. Pesquisa no mundo real. 2. ed. Porto Alegre: Penso, 2012.
ONU - ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS. Convenção Internacional dos Direitos da Criança. New York: ONU, 1990. Disponível em: https://www.unicef.org/brazil/convencao-sobre-osdireitos-da-crianca. Acesso em: 30 jan. 2025.
SOUZA NETO, Zeno Germano de; BUBOLS, Milena Nardini; IRIGARAY, Tatiana Quarti. Percepção sobre a mediação judicial familiar pelos pais em casos de disputa de guarda de filhos. Revista Psi Unisc, Santa Cruz do Sul, v. 5, n. 1, p. 144-157, jan./jun. 2021. Disponível em: https://online.unisc.br/seer/index.php/psi/article/view/14950. Acesso em: 17 fev.2025.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 Mara Lívia Moreira Damasceno, Raquel Coelho de Freitas, Caio Viana Andrade

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Autores que publicam nesta revista concordam com os seguintes termos:
a) Os(as) autores(as) mantêm os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, sendo o trabalho simultaneamente licenciado sob a Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional, permitido o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria do trabalho e publicação inicial nesta revista.
b) Os(as) autores(as) têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não-exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (ex.: publicar em repositório institucional ou como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista.
c) Autores têm permissão e são estimulados a publicar e distribuir seu trabalho em linha (ex.: em repositórios institucionais ou na sua página pessoal) após o processo editorial, já que isso pode gerar alterações produtivas, bem como aumentar o impacto e a citação do trabalho publicado (Veja O Efeito do Acesso Livre).
d) Os(as) autores(as) dos trabalhos aprovados autorizam a revista a, após a publicação, ceder seu conteúdo para reprodução em indexadores de conteúdo, bibliotecas virtuais e similares.
e) Os(as) autores(as) assumem que os textos submetidos à publicação são de sua criação original, responsabilizando-se inteiramente por seu conteúdo em caso de eventual impugnação por parte de terceiros.
A revista se reserva o direito de efetuar, nos originais, alterações de ordem normativa, ortográfica e gramatical, com vistas a manter o padrão culto da língua e a credibilidade do veículo. Respeitará, no entanto, o estilo de escrever dos autores. Alterações, correções ou sugestões de ordem conceitual serão encaminhadas aos autores, quando necessário. Nesses casos, os artigos, depois de adequados, deverão ser submetidos a nova apreciação. As provas finais não serão encaminhadas aos autores. Os trabalhos publicados passam a ser propriedade da revista, ficando sua reimpressão total ou parcial sujeita a autorização expressa da revista. Em todas as citações posteriores, deverá ser consignada a fonte original de publicação, no caso a Scientia Iuris. As opiniões emitidas pelos autores dos artigos são de sua exclusiva responsabilidade.












