Variabilidade da frequência cardíaca em cães com restrição de espaço
DOI:
https://doi.org/10.5433/1679-0359.2025v46n5p1373Palavras-chave:
Bem-estar, Equilíbrio simpatovagal, Qualidade de vida, Restrição de espaço.Resumo
Quando as condições de bem-estar animal não são cumpridas, ocorre o estresse. Assim, entre outros fatores, podem ocorrer alterações cardiovasculares relacionadas a um desequilíbrio simpatovagal. Portanto, o presente estudo teve como objetivo integrar a análise da variabilidade da frequência cardíaca (VFC) e o bem-estar de oito cães, alocados em grupos com e sem restrição de espaço, de forma a determinar a influência do estresse da restrição de espaço utilizando métodos atuais. O estudo foi realizado na residência dos tutores dos cães, através de um eletrocardiograma ambulatorial com registros de 24 horas. O bem-estar dos animais foi avaliado no ambiente hospitalar e doméstico, com base no modelo dos cinco domínios, análise comportamental e de estresse. Os dados obtidos foram submetidos à análise estatística considerando p<0,05. Os resultados mostraram melhores índices de bem-estar, principalmente nos domínios ambiente (p<0,001) e comportamento (p=0,0002) no grupo de cães sem restrição de espaço. Não houve diferença nos índices de VFC em 24 horas. Entende-se que a restrição contínua do espaço é prejudicial às diferentes necessidades dos animais, assim, os cães deste grupo possuem falhas em relação ao bem-estar. Os resultados da análise da VFC podem indicar que os cães do grupo com restrição de espaço não apresentam maior ativação do sistema nervoso autônomo simpático relacionado ao ambiente, o que não significa que o seu bem-estar não seja prejudicado. A partir deste estudo, pode-se concluir que a análise da VFC não diferiu em cães com ou sem restrição de espaço, no entanto, o modelo de cinco domínios e a avaliação do estresse caracterizaram falhas no bem-estar dos cães.
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