Teste de germinação de soja: é possível dispensar o pré-condicionamento utilizando rolo de papel + vermiculita?
DOI:
https://doi.org/10.5433/1679-0359.2025v46n6p1889Palavras-chave:
Glycine max L, Umidade, Controle de qualidade, Qualidade fisiológica, Dano por embebição.Resumo
A combinação de sementes com baixa umidade e tratadas com produtos fitossanitários tem gerado inconsistências nos resultados do teste de germinação em rolo de papel (RP). A técnica de pré-condicionamento, que consiste na hidratação lenta da semente antes do teste de germinação, pode ser utilizada para amenizar danos por embebição nessas sementes, enquanto o substrato rolo de papel + vermiculita (RP+V) reduz a fitotoxicidade dos produtos fitossanitários. Sendo assim, o objetivo deste estudo foi avaliar se a utilização do pré-condicionamento é necessária quando se faz uso do substrato RP+V, visto que há a hipótese de lenta absorção de água quando se utiliza este substrato, em sementes com e sem tratamento. Para isso, utilizou-se sementes de soja de um mesmo lote, que por secagem foram obtidas diferentes umidades e então tratadas ou não com produtos fitossanitários. O experimento foi realizado em fatorial 3 × 2 × 2, sendo três umidades das sementes (12, 10 e 8%), dois tipos de pré-condicionamento (condicionadas ou não), e dois substratos (RP e RP+V). O pré-condicionamento proporcionou melhor condição de germinação, especialmente em sementes com 8% de umidade. Sem pré-condicionamento, o RP+V favoreceu a expressão da qualidade, reduzindo possivelmente, danos por embebição. Além disso, o RP+V promoveu maior percentagem de plântulas fortes, indicando proporcionar melhor desenvolvimento inicial. Conclui-se que o RP+V não dispensa o pré-condicionamento, sendo ambos eficazes para avaliar a qualidade de sementes de soja com baixa umidade, mesmo quando tratadas com produtos fitossanitários. Essa combinação de técnicas otimiza o teste de germinação, assegurando resultados mais confiáveis para a avaliação do potencial germinativo.
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